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Power Rangers me trouxe de volta pro Rock


Acredito que a primeira matéria do Ruído Alternativo teria que ser sobre o real motivo de eu ter começado tudo isso. Contar, de forma resumida, a minha história e "a que ponto chegamos".

Preciso me apresentar. Sou Raphael Maiffre, produtor cultural que reside em Salvador e é apaixonado pela cidade. Costumo dizer aos amigos que eu vivo mais na cena do que vivi fora dela. Isso porque comecei a trabalhar em nosso meio em 2006, quando tinha apenas 14 anos, mas já frequentava casas de show um pouco antes. Eram outros tempos. Não acho que se importavam muito com a minha idade.

Em 2006, depois de uma conversa com um antigo amigo meu, decidi criar um espaço para divulgar a cena local: a RS Rock Salvador. Veio da minha vontade de mostrar o que estava acontecendo, falar sobre as bandas novas, os festivais da cidade e conectar o público com o rock. Foram ótimos anos. De 2006 a 2013, o projeto ficou em atividade e até mesmo funcionou como uma produtora de bandas. Aliás, o antigo site ainda pode ser acessado através deste link aqui.

Em 2011, em paralelo aos últimos anos da RS Rock Salvador, lancei um novo projeto, um site para falar de outra paixão da minha vida: tokusatsu. Não quero me aprofundar muito nisso agora, mas, basicamente, era um espaço de notícias e matérias para falar de heróis japoneses, monstros de borracha e robôs gigantes. O site evoluiu, virou o portal Mega Hero, ampliando o leque de conteúdo e trazendo quadrinhos, jogos, cinema, etc.

E não parou por aí, ok? O Mega Hero também se transformou. Deixou de ser um site de notícias para se tornar uma produtora de eventos locais voltados para o público nerd ou geek (você escolhe como quer chamar) e existe até hoje, com forte presença na cena de Salvador.

Mas onde é que Power Rangers entra nisso tudo?

Antes de pisarmos no acelerador e continuarmos a história, é bom frisar que, nesse momento, o Mega Hero não era um projeto apenas de Raphael. Já tinha uma equipe, contando com a minha companheira, Kiki Bélico, e o ilustre Lucas Andrade.

O lance é que, em 2012, eu decidi fazer o quê? Um novo projeto. Mas, dessa vez, era uma "loucura compartilhada".

Lançamos o Mega Power Brasil, um site para falar de outra paixão: Power Rangers. A ideia era apenas fazer um blog, derivado do Mega Hero, para celebrar os 20 anos dos heróis coloridos. Mas o site vingou, transformou-se em um canal no YouTube e está entre nós até hoje.

O Lucas, também conhecido como Lukas Zdravakov, era o responsável por toda a parte audiovisual dos nossos projetos e também apaixonado por rock, como eu. Durante os primeiros anos do Mega Power Brasil, ele me encorajou a voltar com a RS Rock Salvador. Mas tinha aquela velha história: "Estou sem tempo para focar nisso".

E o tempo passou.

Dois anos atrás, recebi uma mensagem no meu Instagram pessoal de um tal Vitor Peracetta. O cara comentou que acompanhava o Mega Power desde 2018 e era muito fã do nosso trabalho. Me mandou uma foto: tocando bateria com o capacete do Ranger Vermelho. Também apresentou sua banda, a BadLuv.

Obviamente, eu escutei, curti muito o som e virei fã do projeto.

E o algoritmo é malicioso, né?


A tal foto que o Peracetta me enviou - Foto: reprodução instagram


O Spotify começou a me recomendar bandas novas, o Instagram passou a fazer o mesmo e, quando me dei conta, estava consumindo novamente a cena rocker brasileira. Todas as memórias do que vivi vinte anos atrás voltaram de uma forma impressionante e, junto com elas, o desejo de fomentar o que acontecia em Salvador.

Mais rock agora!


Encontro com a BadLuv, galera massa que se tornou parte importante do meu retorno pra cena
- Foto: Reprodução instagram


Dois anos se passaram desde o meu retorno ao cenário e, de lá para cá, muitas coisas aconteceram. Entrei em um projeto com amigos daquela época, a NOSSA Produtora, comecei a fotografar e divulgar os shows e bandas de Salvador nas minhas redes, reencontrei velhos amigos, fiz novas amizades e, vez ou outra, encontro um músico que acompanha meu trabalho através do Mega Power Brasil.

Está tudo conectado, não é mesmo?

E agora estamos aqui, com o Ruído Alternativo. Um novo passo na minha vida que quero compartilhar com vocês.

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