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| O jovem Tony Hawk em 1983 - Foto: Paul Harris |
É muito provável que você já tenha ouvido o nome Tony Hawk em algum momento da sua vida. Muitos, como eu, conheceram o lendário skatista por meio dos incríveis jogos de PlayStation que fizeram enorme sucesso nos anos 2000. Porém, nem todos tiveram a oportunidade de se aprofundar na história daquele que eternizou seu nome não apenas nos games, mas também na história do esporte.
De fato, eu não acompanhei a carreira de Tony Hawk de perto. Ainda assim, posso afirmar com segurança que seus jogos tiveram um papel fundamental na formação do meu gosto musical em uma fase da vida em que eu estava “ampliando meus horizontes sonoros”. Sempre senti que, em algum momento, precisaria me aprofundar em sua trajetória para compreender toda a aura de importância que envolve seu nome.
Caiu como uma luva, ou melhor, como um capacete, o documentário “Tony Hawk: Until the Wheels Fall Off” (Tony Hawk: Até as Rodinhas Caírem, no Brasil), dirigido por Sam Jones e atualmente disponível no streaming pela HBO Max.
Buscando um propósito através do skate
Ao longo de pouco mais de duas horas, acompanhamos uma análise ampla e detalhada da vida de Tony Hawk. Um jovem garoto que teve seu primeiro contato com o esporte aos nove anos de idade, após ganhar um skate de presente de seu irmão. Aquele momento marcou um verdadeiro ponto de virada em sua vida, mesmo sem que ele tivesse qualquer ideia do que o futuro lhe reservava.
Apesar de não levar muito jeito no início, a persistência do “desengonçado” Tony deixou claro que aquele universo havia sido feito para ele. Aliás, um dos pontos mais importantes retratados no documentário é justamente essa persistência: a de um skatista que sempre buscou superar obstáculos e, principalmente, a si mesmo.
Aos 12 anos, Tony já conquistava diversos campeonatos de menor porte na região de Carlsbad, cidade onde nasceu e posteriormente em outras localidades de San Diego. Outra figura fundamental apresentada na obra é seu pai, que não apenas acompanhou o filho nas competições, mas também teve um papel essencial na popularização e profissionalização do skate entre os jovens da cidade. A dedicação de Tony fez com que, poucos anos depois, ele se tornasse o melhor skatista do mundo com apenas 16 anos de idade.
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| Foto: Paul Harris |
Carreira meteórica e problemas pessoais
Ao integrar a lendária Bone Brigade, icônica equipe de skate dos anos 80 da qual Tony sempre sonhou fazer parte, sua carreira ganhou proporções impressionantes. Não demorou para que ele se destacasse e conquistasse seu espaço dentro do grupo.
Com a popularização das fitas VHS que exibiam as manobras de cada integrante, os skatistas rapidamente se tornaram verdadeiras celebridades em meados dos anos 80, um sucesso comparável ao de grandes artistas do rock da época. No entanto, por conta da pouca idade e da ingenuidade, muitos não souberam lidar com o dinheiro e com a fama. O resultado foi devastador: no final da década, com a queda de popularidade do skate, muitos acabaram literalmente falindo.
Tony, que havia acabado de se casar e se tornado pai, viveu um período extremamente difícil. Sustentado pelo trabalho de sua esposa, passou a fazer bicos como editor de vídeo até que, no início dos anos 90, o skate voltou a ganhar relevância no cenário esportivo.
O ponto de virada e a busca por um norte
A grande mudança aconteceu quando o skateboarding foi incluído nos X-Games, considerada a “Olimpíada” dos esportes radicais. Tony enxergou ali uma oportunidade não apenas de continuar vivendo sua paixão, mas também de devolver ao skate a visibilidade que ele merecia.
Na primeira edição do evento, realizada em 1995, em Rhode Island e transmitida pela ESPN, Tony Hawk conquistou a medalha de ouro na modalidade vertical, a primeira de um total de dez medalhas douradas que ele conquistaria ao longo de sua participação nos X-Games.
A partir daí, sua carreira deslanchou como nunca antes. Tony se consolidou como uma celebridade mundial: comerciais, viagens ao redor do mundo e, em 1999, o convite da Activision para promover o icônico jogo Tony Hawk’s Pro Skater, que lhe renderia milhões de dólares. Ainda assim, algo parecia faltar.
No documentário, Tony comenta que, apesar de todo o prestígio, algo que ele jamais buscou conscientemente sentia que sua vida pessoal, especialmente a familiar, precisava de mais atenção. Ele percebeu sua ausência no crescimento dos filhos e o distanciamento de seus irmãos e pais. Seu foco sempre foi o skate, acima de tudo. Foi nesse momento que entendeu que poderia canalizar parte da paixão e da energia dedicadas ao esporte para aprender a viver também fora das pistas.
Um documentário sobre ir atrás dos seus sonhos
Tony Hawk: Até as Rodinhas Caírem apresenta, de forma direta e sincera, uma jornada de persistência e de busca pessoal. Uma história sobre cair, se machucar, levantar e recomeçar, um ciclo que funciona como uma poderosa metáfora da experiência humana. Mesmo diante dos limites do corpo e da passagem do tempo, Tony Hawk nunca abandona o skate, provando que envelhecer não significa desistir, mas aprender a seguir de outras maneiras.
A trilha sonora funciona como um elemento narrativo essencial, reunindo bandas que ajudaram a moldar a cultura do skate, como Dead Kennedys, Black Flag, Suicidal Tendencies, Bad Religion e Gang Starr, somado à depoimentos de lendas como Stacy Peralta, Rodney Mullen, Steve Caballero, Lance Mountain e Mike McGill.
No fim, o filme deixa claro que não se trata apenas de Tony Hawk ou de skate, mas de entender os próprios limites, aceitar as imperfeições e continuar em movimento.


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